UFLA desenvolve sistema de aviso de doenças nas plantações de café

09 de Fevereiro de 2020
UFLA desenvolve sistema de aviso de doenças nas plantações de café

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desenvolveram um sistema de aviso de doenças com o intuito de reduzir o uso de agroquímicos na produção cafeeira

 

O Sistema de Aviso de Doenças (SAD) é programado para identificar a possível ocorrência, em um futuro próximo, da ferrugem e da mancha de phoma. A tecnologia funciona com base em variáveis ambientais, como chuva e temperatura, e possui um nível de controle para prever se pulverizações deverão ocorrer.

“Na prática, o sistema avisa quando a doença vai ocorrer, fazendo com que não seja necessário pulverizar o tempo todo. Você aumenta a sustentabilidade ambiental com menor número de pulverizações e maior segurança alimentar para os consumidores de café, e ainda possibilita maior lucro para o produtor, a sustentabilidade financeira que ele tanto almeja”, explica Edson Pozza, professor do Departamento de Fitopatologia e coordenador da pesquisa.

O estudo teve início em 1998, com o então estudante do doutorado da UFLA, Augusto Carlos dos Santos Pinto. Em sua tese, ele desevolveu um sistema de alerta para a ferrugem do cafeeiro, avaliando tanto modelos matemáticos quanto redes neuronais. Desde então, adaptações foram realizadas para que a fórmula final fosse mais precisa. “O melhor sistema que encontramos é usando uma rede neuronal, que é um sistema de inteligência artificial. Nós fizemos baseado em fórmulas matemáticas, e existe uma interação da fórmula com uma plataforma de campo. Por exemplo, se você tem uma situação de clima no campo, você atualiza o sistema com esses dados. Os cálculos matemáticos são feitos e o resultado informado”, acrescenta Pozza.

O SAD utiliza sistemas de cores para informar ao agrônomo, engenheiro agrícola ou produtor, com uma antecedência de 15 dias, sobre a provável ocorrência das doenças:

VERMELHO: pulverizar
AMARELO: fique em alerta
VERDE: a doença não vai ocorrer

“O sistema não vai falar para pulverizar ou não. Ele vai avisar se a doença pode ou não pode ocorrer naquela região. É claro que depende de outros fatores, como a nutrição da planta, a condução de podas, a produtividade, entre outros. Por isso, recebendo o aviso, ainda é importante que o produtor vá ao campo com o agrônomo ou com o técnico agrícola para, juntos, decidirem se a pulverização será feita”, completa Edson.

 

Pesquisa na prática

O SAD já foi implantado em cinco municípios (Carmo do Rio Claro, Nova Resende, Monte Santo de Minas, Rio Paranaíba e Serra do Salitre), que vão desde o Triângulo Mineiro até o Sul de Minas. A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé LTDA (Cooxupé) e a Ihara são parceiras para que a pesquisa seja colocada em prática no campo. De acordo com Pozza, os testes foram eficazes, atingindo 90% de acerto do momento correto de controle. “Estamos no segundo ano de parceria entre UFLA, Cooxupé e Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (Fundecc), e a Ihara apoiando a Cooperativa. A expectativa é que, até o fim de 2020, o SAD seja disponibilizado gratuitamente na página do Sistema para o Monitoramento Agro-energético da cultura do Café (Sismet) da Cooxupé.”

Clique aqui e confira como funciona o sistema. ▼

As informações são da Ascom UFLA (por reportagem de Greicielle dos Santos – bolsista Dcom/Fapemig e edição de vídeo de Rafael de Paiva – estagiário Dcom/UFLA).

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